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O mercado editorial não é uma causa perdida

Quanto tempo esperei para escrever isto com a boca cheia, satisfeito e seguro?

Não sei, mas faz muito tempo.

Eu me preparei durante anos para atender ao mercado editorial, mas aprendi rapidamente que o editorial não atendia ao meu mercado.

Mercado, aluguel, combustível, dentista, conta de água, luz, gás, telefone, internet…

Mas talvez eu estivesse atendendo aos clientes editoriais errados, e ainda que ostentem sedes babilônicas e ajam como senhores feudais, eu é que sou “caro demais” para eles, veja só.

Mas fui positivamente surpreendido por editoras menores, me contratando pelos valores que eu uso em minha tabela, sem choradeira, sem reclamação e sem atrasos no pagamento.

Uma verdadeira inversão de valores, pequenos agindo como grandes e vice-versa.

Recentemente fiz as ilustrações de um livro de contos escritos por Leonardo DaVinci, que será publicada pela Editora Berlendis & Vertecchia em breve.

Foi um projeto fascinante, onde tive liberdade na escolha da técnica, na adequação das imagens aos textos, e tudo isto só foi possível porque a negociação foi clara e direta desde o primeiro telefonema, do Sr. Berlendis, em pessoa:

“Consultei sua tabela e nosso orçamento bate com seus valores, vamos trabalhar?”.

Minha resposta foi: “Claro, começamos agora”.

Nestes trabalhos usei lápis pastel, que era uma técnica que até então só tinha feito em meus sketchbooks, e foi a oportunidade ideal de colocar em prática estes estudos.

No ano passado outra editora modesta, que publica a revista Contra-Relógio, especializada em maratonas, me chamou, pagou os valores de capa da minha tabela, ofereceu espontaneamente um pagamento decente pela reprodução da mesma imagem na abertura da matéria, e fechamos negócio.

Pagaram no dia combinado, na mesma semana em que entreguei a imagem.

Curioso comentar sobre o sucesso de uma negociação editorial como se isto fosse uma exceção, um motivo de festa.

Pensando bem, do jeito que anda este mercado, talvez seja mesmo um grande achado, merecendo uma celebração muito maior.

Vale dizer que a minha tabela é a mesma desde 1998, há 11 anos.

Nem um centavo de reajuste, e ainda há quem ache “caro”. Que piada.

A variação do índice IGP-M entre 01 de Janeiro de 1998 até hoje, 12 de Maio de 2009, foi de 179,4178 %, ou seja, meus preços deveriam ter sido multiplicados por 2,794178 e não acachapados para 1/3 ou menos do que se pagava há 10 anos.

Aqueles podem ser considerados os anos prateados da ilustração, porque nos dourados anos 70, um original feito para as grandes editoras era pago a um valor equivalente a um carro popular, zero KM, à vista.

Pena que eu cheguei tarde, e não vivi estes áureos tempos, que hoje em dia parecem mais um conto de fadas.

Mas acredite, esta já foi a realidade para muitos ilustradores brasileiros, como Gilberto Marchi, na ativa até hoje.

COMMENTS (23)

Coisa linda Montalvo, de encher os olhos… a caligrafia do livro também ficou demais.
Parabéns pelo trabalho e pela negociação, é raro uma editora daqui trabalhar de maneira decente e honesta, tomara que perdure.
Agora, se uma editora de pequeno porte pode pagar o preço justo, só aumenta o meu repúdio às maiores e sua imensa choradeira, sem propósito algum.

Abraços,
Cris

Falando do ponto de vista de quem ta dentro de um prédio babilônico, eu fico muito feliz de ver que existem editoras fazendo as coisas do jeito que devem ser feitas.
Provavelmente as editoras pequenas têm custos fixos muito menores e muito menos burocracia para se fazer qualquer coisa, por isso ainda conseguem olhar e zelar pela qualidade do produto, o que significa ter bons profissionais trabalhando com condições decentes.
Essas praticas deveriam ser o default. Ainda quero não me surpreender com as coisas sendo feitas do jeito certo.

Olá sr. Montalvo, acompanho seu blog já a uns 6 meses via RSS. Achei muito interessante varios post que o sr. fez no decorrer deste tempo, como os sketchs que realiza, suas opiniões sobre o selo de comemoração da microsoft ser realizado um concurso para escolhe-lo, fotos do bistecão, e o recente da lei rouanet. Esse post que fez agora me chamou atenção até para comentar sobre isso, que muitos ilustradores comentam. No nerdcast que o Hiro participou ele deixou bem claro, ganhar dinheiro é publicidade não é editorial. Uma vez o ilustrador Marcelo Daldoce, do estúdio Macacolândia, me falou isso também.
Mas muita gente aponta o editorial como um lugar para começar. Eu faço evento de caricatura em festas hoje em dia como meio de sobreviver, ganho 45 reais a hora, sou um aspirante a ilustrador, 20 anos, Osasco. Vendo sua tabela de valores, tem sempre aquele situação de quanto cobrar, quando aceitar o trabalho, pois as editoras vão querer desvalorizar vc por ser iniciante. Conheço profissionais que entraram primeiramente em estúdio, e assim conseguirão criar um entendimento sobre o mercado, contatos e uma carreira para cobrar um valor X. Gostaria de saber a sua opinião dessa situação do iniciante. Quanto a contato, estúdios, e ele se relacionando com o mercado. Ah claro, caso o sr. puder responder, rsrs, até desculpa caso tome tempo, obrigado mesmo pela atenção.

– Cris, Obrigado pelo comentário e pela empolgação, que compartilho e acredito ser o começo de uma realidade melhor para todos nós. Nem o prazer nem a dor são eternos, o que pode ser animador, no nosso caso.

– Diego, este post é uma verdadeira catarse para mim, e acredito que vá ser para muitos colegas também. Eu acho que a questão de regular as torneiras do cofre está muito mais na mentalidade dos administradores do que no porte da empresa. Imagine qual é a margem de lucro de uma editora pequena, com a tiragem anual equivalente a uma fração do que as grandes são capazes de colocar no mercado, semanalmente.

Grandes ou pequenas, todas as editoras tem suas margens de lucro, e neste raciocínio, as grandes teriam muito mais lastro para elevarem seus pagamentos, mas a gente luta contra o excesso de oferta, muitos ilustradores desesperados para ver suas imagens impressas a qualquer custo, o que faz desabar nossos preços.

Quando eu tive acesso à uma tabela de mídia de uma agência, abri uma grande revista mensal, contei todos os anúncios, tirei 30% do total considerando os descontos de tabela, somei com o valor da tiragem, descartei 50% desta soma, e cheguei a um número assustador: 7 milhões de reais.

Supondo, insanamente, que 5 milhões sejam de despesas internas, salários, aluguel, depreciação do equipamento, somados a um valor descomunal para a impressão e distribuição (um valor completamente irreal, porque nem as maiores empresas tem este gasto interno mensal), sobrariam R$ 2.000.000,00 (DOIS MILHÕES DE REAIS) como lucro líquido mensal de uma única revista.

Considerando que eu esteja completamente louco, desinformado e delirando, vamos reduzir tudo isto pela metade, e ainda assim estaremos falando de UM MILHÃO DE REAIS, líquidos, sobrando nos cofres da revista.

Mesmo que eles triplicassem, quadruplicassem ou quintuplicassem os valores pagos a todos os funcionários, colaboradores, fotógrafos, redatores e ilustradores, não conseguiriam queimar 1/5 deste milhão excedente, e ainda assim deitariam e rolariam numa baita grana.

É só pegar uma tabela de mídia, uma revista e uma calculadora para a realidade desabar estrondosamente sobre nossas cabeças.

Nada, repito, absolutamente NADA neste universo, nem nos universos desconhecidos ou dimensões paralelas é capaz de me convencer que o mercado editorial seja pouco lucrativo para as editoras.

Mas a visão administrativa varia de empresa para empresa, e por isto algumas editoras menores tem mais potencial de oferecer melhores valores e negociações do que outras.

A sustentabilidade para uns é teoria, papo de palestra de eco-chato, enquanto para outros é um modo de vida, provendo o sustento para si e para os outros, mantendo as margens de lucro dentro de padrões reais e justos.

Concordo plenamente com você, isto deveria ser default, e eu também não queria que isto fosse exceção, não deveria ser tão supreendente ver empresas respeitando seus parceiros.

Quem sabe a curva já chegou no seu ponto mais baixo, e tenhamos o privilégio de presenciar o começo de uma curva ascendente neste gráfico maluco da nossa profissão.

Obrigado pelo seu comentário, e um forte abraço.

– Sr. Rômulo (mantendo a formalidade, hehe), agradeço por sua visitação assídua e pela leitura atenta.

Gostaria que entendesse que não procede a ideia que o mercado editorial é apenas um lugar para começar. Mesmo que fosse, o fato de ser uma porta de entrada não quer dizer que qualquer um possa defecar ao passar, porque desta forma as portarias dos prédios seriam insuportavelmente mal-cheirosas e perigosamente escorregadias, como é a maior parte do mercado editorial hoje.

Não se deve começar em qualquer mercado desta forma, ou então não haverá mercado em muito pouco tempo.

Outro engano é acreditar que exista tal coisa como “iniciante” atuando profissionalmente.

No momento em que o ilustrador recebe o primeiro trabalho, ele está sendo DIPLOMADO como profissional, reconhecido pelo cliente, pago por isto, e seu trabalho será veiculado, como também seria, se tivesse sido feito por um profissional gabaritado, porque é um trabalho PROFISSIONAL. Se não fosse, o cliente não seria louco de publicar.

Sugiro que, ao acordar pela manhã, você se concentre, respire profundamente, e entoe o seguinte mantra:

Não existem iniciantes no mercado.
Não existem iniciantes no mercado.
Não existem iniciantes no mercado.

Você não faz ideia do bem que isto pode fazer pelo seu sucesso profissional e financeiro.

Montalvo nem deu muita vontade de comentar nada do assunto editorial, o lance é que as ilustrações estão lindas. Composição, cor, traço e tudo mais. Gongratulações.

Ah muito obrigado sr. Montalvo (mantendo formalidade novamente), gostei muito da sua opinião sobre isso do mercado de “iniciante”, confesso que nos contatos que tive com ilustradores profissionais, eles colocaram de uma forma de: “OH, vc não tem nada, então vc não faz parte daqui da gente, entendeu?”, claro que outros tiveram uma opinião contraria a essa. Mas acabamos nos afetando por essas opiniões negativas. Continue sempre com o excelente blog. Muito obrigado.

Fala Montalvo! Que beleza, é difícil encontrar clientes que dêem toda essa liberdade, na escolha de técnicas e tudo mais. Desse jeito nem parece trabalho né? rs

Reply

Bacana, falando em iniciante, e os valores.. há uns 2 meses atrás consegui meu primeiro trabalho com a Spring, dando uma checada na sua e na tabela da SIB, eu consegui um valor dentro dela.. alias nem consegui, eles oferecenram já o valor e eu dei uma olhada nas tabelas.
Fiquei contente, pq nem olharam se eu era iniciante, foi tudo direto e reto tb.

Bom ouvir isso… Meu começo foi mais para o padrão do mercado. Esse post mostra o quanto é mais vantajoso agir sem se desvalorizar. Vou soar como um adolescente da MTV, mas… Atiutude é tudo!

– Zé Otávio, valeu pelas boas palavras, o texto acabou rendendo mais que as imagens, que bom que você gostou e comentou.

– Prezado Sr. Rômulo (dá-lhe terno e gravata pra escrever assim, hehe), acredito fielmente que V.Sª. está andando em companhias erradas. Os ilustradores que conheço, e que frequentam o Bistecão Ilustrado, Sketchcrawl e os botecos da vida não se tratam assim, muito pelo contrário. São todos muito solidários com os problemas uns dos outros, e sempre cheios de dicas boas e esclarecimentos sobre as dúvidas que todos nós (veteranos ou novatos) sempre temos sobre a profissão.

Não se afete com isto, siga em frente, informe-se sobre tudo ligado à profissão, frequente exposições, palestras, workshops e encontros de ilustradores, para conhecer gente mais legal, que esses caras que te botaram pra baixo não estão com nada, a não ser medo da concorrência, o que é uma bobagem das piores.

– Jon, no editorial é mais comum haver clientes que apostam no seu estilo, dando mais liberdade. Na publicidade a rédea é mais curta, mas a grana é bem melhor. Escolhas, a gente passa uma vida inteira fazendo escolhas, e somos responsáveis por cada uma delas.

– Wagner, fico feliz que tenha começado bem, com valores decentes e clientes que respeitam seus colaboradores. Não baixe a guarda, continue assim e nunca ande para trás.

– Henrique, estamos passando por uma era de descobertas, o mercado não é mais previsível ou estável, e estamos todos descobrindo como fazer e o que fazer a cada momento, mas algumas coisas não devem mudar, como baixar os valores. Viver é cada vez mais caro, e a atitude realmente é tudo, aceitar migalhas só vai piorar o que já está ruim, e uma atitude positiva, firme e segura valoriza o artista. Não se deixe vencer pela pressão, segure a onda que a onda segura você.

Olá Montalvo, mais um texto viceral ornado por suas belíssimas ilustras, que por sinal merecem valores outrora mais vistosos, rs

Concordo plenamente com sua opinião quanto a política de preços adotada pelo mercado, não é de hoje e é ultrajante, sério, me indiguinei com um texto seu em que falava do Taxali e tinha uma pauta parecida.

Eu não trabalho com ilustração, mas por gostar muito vejo nitidamente isso, um mercado prostituído, assim como o de designers, onde talvez por culpa da tecnologia, nivelou-se por baixo, com jovens afoitos se vendendo por pouco sem a noção que seriam substituídos, sem pesares, por outros ainda mais afoitos, que se sujeitariam a abrir um tanto mais as pernas.

Tudo isso me fez lembrar uma história que ouvi de um matuto lá em S.José do Rio Preto, sujeito sem conhecimento erudito, mas com um ou dois punhados de sabedoria popular, ele disse que vendia pastel, e que “um dia alguém chegou até ele e viu que era um negócio lucrativo, então o tal sujeito decidiu abrir um também, pois estava na pior, só que o tal escolheu a mesma esquina, afinal o ponto era bom, era ali que as pessoas queriam os pastéis, nunca lhe foi passado nada de que aquilo era errado, como se houvesse a necessidade, mas pra ganhar a concorrência do matuto ele adotou um valor 50% mais baixo, e o matuto não conseguia mais vender pastel, era caro de mais, e mudou de freguesia, mas a nova já sabia que em tal outra esquina se fazia preço melhor, lá na esquina do começo chegou uma outra barraca com preços ainda menores, o pastel começou a ser vendido a preço de custo, sem lucro, pouco tempo depois com prejuízo. Se destituiu o negócio e se instaurou a falência do pastel”, rs, ele falou isso em meio minuto e de um jeito bem mais simplificado, espero que o mercado artístico nacional tome novos rumos, assim como essas pequena e digníssimas editoras, assim como essa nova geração de ilustradores gente como a gente e que presenciemos esses novos tempos, que sejam pelo menos a era bronzeada da ilustração, rs, desculpe pelo excesso.

Grande abraço e até o próximo sketchcrawl ou post de seu fodástico blog, vlwww.

Caro Montalvo,
Talvez você não se lembre de mim, mas participamos do ilustrasite . Trocamos poucos emails, e confesso que aprendi muito com suas longas e importantíssimas mensagens na lista.
Primeiro gostaria de comentar o seu trabalho que ficou absurdamente lindo. Sou fã de um detalhe em especial na sua técnica ( uma delas ): a iluminação de suas imagens. Voce foge do óbvio ao colocar um por-do-sol ou nascer dele , como queira, sem a necessidade de mostrá-lo. A ambientação fica extremamente agradável e como ja vi esse detalhe em muitas imagens suas, ela ja se tornou uma marca registrada, faz parte do teu estilo. Justo você que em alguns momentos na antiga ilustrasite se viu incomodado por não ter um estilo definido. Quem acompanha seu trabalho nota claramente uma identidade quando você trabalha com as cores. Eu pelo menos enxergo isso facilmente.
Outra coisa que não poderia deixar de comentar e o que motivou a postar essa mensagem é o tema desse post.
Eu trabalho muito com o mercado editorial, também com algumas agências , mas diria que 90% do meu foco é editorial e sempre me incomodou uma discussão que a meu ver entre ilustradores não deveria existir sobre o preconceito com o famigerado mercado editorial. Concordo plenamente que em sua maioria , os jobs para o mercado publicitário pagam mais que o editorial, mas vejo também uma negativa divisão entre ilustradores que glamourizam demais um segmento e infelizmente vêem com preconceito o mercado editorial. Modestia a parte, isso que você acabou de descobrir sobre editoras pequenas que trabalham de maneira digna em comparação com as grandes e que lhe causou a grata surpresa, eu ja descobri ha um certo tempo.
Tenha certeza que esse teu post vai colaborar e muito para que certos ilustradores ( nem todos, que fique bem claro ) vejam a situação desse mercado com outros olhos.
Sempre fui da opinião que todos os segmentos tem bons e maus clientes e hoje em dia o manual de sobrevivência do ilustrador dita que devemos ser “garimpeiros” e não lançar mão de certas peneiras. Acho que me fiz entender.
Creio na educação desse mercado através da boa conduta e não virando as costas para ele como muitos fazem. Apesar que muito ilustrador que se auto-rotula ser do mercado publicitário corre para as editoras quando a demanda cai nas agências. Claro que o glamour os impede de comentar esse ato mas está la o porto seguro sempre que for conveniente.
Não é surpresa ler esse post vindo de você, pois quem acompanha sua carreira sabe que o mesmo crítico da extinta ilustrasite reconhece e volta atrás em opiniões quando necessário.
Visão de mercado diferencia os bem e mal sucedidos.
Vamos batalhar para que nossas tabelas e condições melhorem.

Sucesso !

Paulo Borges – Ilustrador

– Leandro, agradeço o comentário e achei muito apropriada a comparação com o pasteleiro, é exatamente o que está acontecendo com a gente.

– Oi Paulo, claro que lembro. É um prazer restabelecer o contato com você aqui no blog. Obrigado pela sua observação em relação a luz que uso nas imagens, e por ver nisto uma assinatura visual reconhecível, isto é mais que um elogio.

Legal também a sua análise, e fico muito satisfeito pelo feedback positivo que este post trouxe, porque a nossa identificação com os outros ilustradores não precisa, e nem deveria, ser fundamentada apenas nos pontos negativos.

Espero sinceramente poder presenciar a mudança ascendente na curva da nossa profissão, já estava na hora de melhorar.

Ainda não nos conhecemos, mas pelos bons papos que já tivemos, tenho você como um amigo, e respeito muito a sua visão de mercado.

Grande abraço!

Caramba!
Ei, realmente seus preços são baratos até demais!

Ah, eu, que nem desenho essas maravilhas todas, cobro na mesma faixa. E sempre coloco no orçamento “Valor não negociável”. Depois que adotei essa frase, nunca mais ninguém chiou. Ou trabalha, ou desiste.

Eu não fico nessa de ouvir o choro de cliente, não. A arte é minha, e eu cobro exatamente o que acho que ela vale, e o trabalho que me dá.

Parabéns, Montalvo, essas ilustrações com lápis pastel em papel colorido estão de babar! Excelente trabalho! Eu fico com muito orgulho de ver que há aqui no Brasil pessoas como tu que conhecem o desenho a fundo.

Quanto ao orçamento, as pessoas por alguma razão acham que criar uma ilustração só pro projeto delas, de acordo com o que elas querem, e às vezes até refazendo detalhes e tudo mais é trabalho de alguns trocados. Os clientes brasileiros em especial não sabem o valor do nosso trabalho, ou não querem saber. Não se importam de pagar uma nota preta por um celular ou um par de sapatos mas não perdoam se a gente orça o preço devido pelo nosso trabalho.

grande abraço!

– Ana Luiza, obrigado pela gentileza de seu comentário.

Esta questão do “valor percebido”, como costumam falar os profissionais de marketing, é uma questão de negociação, e em alguns casos nós precisamos ser didáticos e até pediátricos com nossos clientes.

Muitos são profissionais qualificados, inteligentes e respeitam todas os aspectos do job, inclusive os valores e licenciamento das imagens, enquanto outros acham que estão comprando tomate na feira, e é com estes que temos que lidar com mais cuidado, e ensinar como se trabalha.

Se o sujeito for ignorante e não quiser entender, eu nem perco meu tempo e a negociação acaba ali na hora.

Eu posso ser paciente e até didático com alguns dos meus clientes, mas só se a gente estiver mantendo um nível razoável de respeito e inteligência mútuos.

Sem isto, estou fora, tenho mais o que fazer do que ficar paparicando marmanjos mimados.

Que lindas ilustrações do livro, Montalvo!!
Eu adoraria poder desenhar com pastel seco, até tentei,
mas só de pensar me dá arrepios, tenho muita aflição
do pastel, carvão, sobre o papel, como tenho também de areia e de veludo, nunca pisei numa praia.

Enfim, o teu texto ilustra bem a situação, que por vezes pode ser dramática, mas quando rola tudo certinho o resultado é esse aí, o artista fica feliz, o editor também pelo resultado, e o leitor que tem satisfação de ter um
produto digno do dinheiro investido.
Abraço!

– Oi Pepe, que prazer receber você aqui no blog!

Eu tinha um bloqueio danado com pastéis, porque eu trabalhava com o material errado, nos papéis errados e da forma errada. Quando tive a oportunidade de aprender com Gary Kelley, um verdadeiro ninja na arte do pastel, tudo ficou mais claro, e pude improvisar, inventar e chegar em uma técnica mais “minha”, e este é um pouco do resultado destas descobertas.

Mas entendo sua aflição com o pastel, ele tem um pouco desta coisa incômoda de raspar, de fazer um barulhinho meio chato mesmo.

Abraços, e obrigado pela visita.

Lindas ilustrações, de cair o queixo. Parabéns, seu trabalho vale muuuuito mais até do que o preço que você cobra, pois são obras únicas em estilo.

Anielle, obrigado pela gentileza do comentário. Gostaria que os editores pensassem assim também… Talvez alguns pensem, mas dificilmente diriam isto para mim.

Vou postar mais coisas em breve, tenho os trabalhos das últimas 2 semanas aqui na Illustration Academy, e a cabeça está cheia de novas ideias, não vejo a hora de colocar tudo no papel, na tela e nos cadernos.

Reply

Muito boas suas considerações parabens!
continue com seus propósitos pois o fato é que vivemos num verdadeiro mar de gladiadores, agora para vencer nesta arena, cá entre nós, não é preciso somente boa intenção mas principalmente boa literatura.
Abraços!!!

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